quarta-feira, 12 de outubro de 2011

OS NOVOS ROSTOS DA IMIGRAÇÃO PARA O BRASIL

      Brasil, terra imensa, quinto maior país do mundo em extensão territorial, com uma população de 193 milhões de habitantes. Em 1818 o Brasil adotou a sua primeira política imigratória trazendo, primeiramente, suíços para Nova Friburgo e, sobretudo, alemães, os quais se estabeleceram em maior número na região do Sul do país. A partir da crise do cativeiro, foram trazidos para a lavoura, italianos, espanhóis, portugueses, japoneses, entre outros. Entre os anos de 1950 e 1980, a imigração para o Brasil praticamente cessou e foi a vez da migração interna ocupar o cenário. Neste período, o Brasil deixou de ser um país com sua população majoritariamente morando no campo para transformar-se num país urbano, com grande concentração nas Regiões Metropolitanas.
     A partir dos anos 1960, novos imigrantes começaram a chegar: bolivianos, coreanos, chilenos, uruguaios, argentinos e paraguaios. Mas a maior novidade foi a chegada de africanos, em especial vindos de Angola e da República Democrática do Congo, na condição de refugiados. Todavia, hoje o Brasil recebe, embora de maneira pulverizada, africanos de muitos países.
no Haiti,

     Poucos dias após a celebração dos 206 anos da Independência do Haiti, em 1º de janeiro, no dia 12 de janeiro de 2010, deste mesmo país, aconteceu uma das maiores tragédias do mundo. Isto é, o terremoto que deixou as marcas de sua raiva no país caribenho, destruindo toda a capital e outras regiões, deixando milhões de vítimas. Foi um ano marcado por tristezas, traumas, lágrimas, perdas de vidas e de bens materiais. E logo em seguida, uma epidemia de cólera atingiu a população. Como se não bastasse, logo em seguida, o país se viu envolto na farsa política das fraudulentas eleições presidenciais imposta pelo governo para continuar no poder, e que era também a favor da permanência das Forças Ocupantes. Diante de tudo isso, a pergunta que se faz: O que fazer? Para onde ir?
      Após o violento e devastador sismo, muitas das vítimas e sobreviventes, na tentativa de reescrever a gênese de um sonho, caminharam para outras terras. Alguns para a América do Norte (Estados Unidos e Canadá), outros para América Latina (Brasil, Equador, Argentina...) e alguns outros para outros países.
     Para o Brasil, nunca houve migração haitiana, apesar de o Brasil ser um país com fama de acolhedor. Depois do abalo, isso não tardou para acontecer e hoje, há migrantes haitianos no Brasil. Mas será que isso é “migração” ou apenas uma “pequena onda migratória”? Que chamemos isso de migração ou não, ou ainda de onda migratória, em nada altera o sentido. Falta muito ainda para que esse fluxo seja chamado “migração”, comparado com o tamanho do Brasil. Por razões diversas, prefiro chamá-lo de: pequena onda migratória. A cada vez que uso “onda”, refiro-me a algo pequeno ou partícula.
     Essa pequena onda de migração haitiana é tema de debate por parte das autoridades dos países para onde estão migrando, e ainda dos meios de comunicação. Aí surge uma grande preocupação por parte das autoridades. Em Manaus, um dos lugares em que mais cresce essa pequena onda migratória, com a chegada desses haitianos. De fato, nem todos estão vindo diretamente do Haiti para o Brasil. Muitos estão vindo de outros países, como Equador, Santo Domingo, Argentina, Chile, etc., queixando-se de que a renda desses países não lhes é favorável, é pouca. Assim, acabam saindo à procura de outros lugares. A maioria dos que saíram do Haiti, tenta usar as fronteiras brasileiras como lugar “de passagem ou rota” (migrantes de trânsito) a fim de chegar a outro destino, Guiana Francesa ou outros países. Os que ficam estão sendo acompanhados, acolhidos, orientados pastoralmente pela ação social da Igreja-Mãe, nos lugares onde eles se encontram. Do ponto de vista político, da forma que isso vem ocorrendo, percebe-se que não houve um acordo entre os dois governos (Brasil e Haiti) dizendo: vamos receber tal quantidade de haitianos. Na verdade, a pessoa ou o grupo que vai migrar não espera essas coisas. Sendo assim, pode-se notar que está ocorrendo uma onda migratória de forma desordenada. Nem mesmo responsáveis do Brasil sabem o que dizer diante disso. Pois bem, essa pequena onda migratória haitiana para o Brasil é vista como de “migrantes ambientais ou de pessoas vítimas de desastres naturais”, em busca de trabalho e moradia, para voltarem a sonhar, e a manter a eles mesmos e às suas famílias. Essas vítimas são igualmente conhecidas como “desplazadas”, por razões de caráter ambiental e/ou econômico. No total, estima-se que pelo menos 1500 vítimas haitianas do terremoto já chegaram ao Brasil, sem contar os que estão na fronteira com a Colômbia, em Tabatinga, à espera de documentação, para depois alcançarem a capital amazonense, Manaus.
     Essa pequena onda migratória, em nada afeta o Brasil; pelo contrário, o favorece. O Brasil é um país em crescimento, onde a mão de obra é necessária. A pergunta que nos fazemos é: Não seria melhor organizada essa onda, se houvesse um acordo bilateral entre os dois países para acolher um certo número de migrantes haitianos no Brasil?
    Chegando ao final dessa pequena reflexão, como estudante religioso, vivendo no Brasil, gostaria, enfim, de agradecer em nome dos meus irmãos haitianos, “migrantes ambientais ou deslocados”, a todo o povo brasileiro, sobretudo, ao povo amazonense pela acolhida dada a esses irmãos. Por outro lado, um agradecimento que vai ainda ao Conselho Nacional de Imigração, ao Instituto de Direito Humano, enfim, a todos os que acolheram e continuam a acolhê-los. Torcemos para que os favoreçam com a documentação, a fim de que se sintam livres nessa terra acolhedora, como pátria que lhes dá pão e trabalho. Não podemos esquecer os padres e irmãs scalabrinianos, engajados nessa missão nos vários Estados do Brasil, de maneira mais especial, em Manaus, servindo o povo migrante, em particular, depois do terremoto, os haitianos deslocados. Por fim, a todos os diferentes serviços pastorais e instituições da sociedade civil; leigos e missionários que estão ajudando a esses irmãos a se integrarem, na medida possível, na cultura e no mercado do trabalho. Que Deus abençoe esta terra amada, Brasil!

Pierre Dieucel
Estudante Religioso Scalabriniano em Teologia
http://www.dieucel.blogspot.com

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Encontro de Seminaristas Scalabrinianos da Província São Paulo

Estivaram reunidos, de 6 a 8 de outubro, os seminaristas e os seus respectivos formadores da Província São Paulo, no Seminário de Teologia João XXIII em São Paulo-SP.
No Encontro estavam presentes os formandos da Teologia, Filosofia e Propedêutico.
Este encontro foi gratificante para a inculturação, formação e descontração dos seminaristas que, em todos os momentos, demonstraram a alegria de estar em comunidade e de vivênciar o carismo scalabriniano.
No primeiro momento as 3 casas formativas apresentaram, de forma criativa, a sua comunidade, integrantes, formador e serviços realizados na casa. No segundo dia participaram da celebração Eucarística, tiveram a oportunidade de visitar o Aquário de São Paulo e após foi relatada a missão realizada por 2 seminaristas da Teólogia em Manaus-AM, apresentando a realidade de migração do Haiti para o Brasil. A tarde houve mais um momento formativo, onde viu-se a realidade do Tráfico de Pessoas, apresentado por Eduardo Gabriel - sociólogo e seminarista do Propedêutico. Conclui-se  dia fazendo uma avaliação das casas de formação e das motivações que cada seminarista possuia em levar a diante o sonho da missionariedade scalabriniana.
  

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Missão Vocacional Scalabriniana

Motivados pelo tema “Discípulos Missionários de Jesus Peregrino” e pelo lema “Eu era migrante e você me acolheu” (Mt, 25, 35), um grupo de 35 Missionários e Missionárias das Congregações dos Missionários de São Carlos - Scalabrinianos e das Missionárias de São Carlos – Scalabrinianas, realizaram em Guapé, sul de Minas Gerais, a VI Missão Vocacional Scalabriniana.

Esta missão teve inicio no dia 4 de outubro com a Festa de São Francisco de Assis, padroeiro da paróquia e cidade de Guapé. Durante os dias que se seguiram a Missão foi sendo realizada em seis frentes ou setores abrangendo todo o território da Paróquia.
Ao longo da Missão foram visitadas as famílias, realizados encontros de formação com as lideranças, atividades nas escolas, encontros com jovens, encontros com catequizandos, celebrações eucarísticas nas comunidades, programas de rádio, atendimento a confissões, orientação espiritual, entre outras atividades.

Os objetivos da Missão que se repete a cada ano no mês de outubro são os de tornar o carisma scalabriniano conhecido, levar ao povo cristão a mensagem da certeza de que o Cristo Peregrino caminha com seu povo e, animar as vocações ao serviço da Igreja na perspectiva do carisma e da missão Scalabriniana.

A conclusão da Missão coincidiu com a celebração da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, dia 12 de outubro. Nesta celebração houve uma concentração dos fiéis para uma caminhada mariana e a celebração eucarística no templo paroquial, que ficou completamente lotado.





terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Sonho Missionário de Scalabrini

João Batista Scalabrini, nascido no dia 8 de julho de 1839 em um pequeno povoado chamado Fino Mornasco, filho de Luís Scalabrini e Colomba Trombetta, levava uma vida tranqüila e normal como de qualquer jovem de sua idade até que, aos 18 anos, declarou que queria ser padre.

Enfrentando os desafios da época e sentindo o apoio da família, Joãozinho, como afetuosamente era chamado pelos seus familiares e amigos, ingressou no Seminário Diocesano de Como em outubro de 1857. Com um comportamento exemplar e feliz por sentir-se chamado por Deus ao sacerdócio, o jovem Scalabrini estudou Filosofia e Teologia, e no dia 30 de maio de 1863 foi ordenado sacerdote.

Uma vez ordenado sacerdote, Pe. João Batista Scalabrini pensava em poder realizar seu sonho missionário juvenil: ser missionário na Índia. Decidido a ingressar no Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras (PIME) Scalabrini partiu para Milão, mas o seu bispo o chamou e não permitiu deixar a Itália, dizendo-lhe: “Eu preciso de você; suas Índias são a Itália!”. Assim, Scalabrini voltou ao Seminário Diocesano e aí se dedicou por sete anos, primeiro como professor e depois, nos último dois anos, como reitor.

Mesmo atuando no seminário, o sonho missionário continuava ardendo seu coração. Por isso, não obstante suas atividades no seminário, estava ligado ao povo, dispensando seu tempo livre e suas forças.

Nomeado bispo de Piacenza em 1875, com apenas 36 anos de idade, o sonho missionário de Scalabrini parecia haver terminado. Mas, foi justamente aí que este sonho recobrou forças, pois foi em suas visitas pastorais onde Dom Scalabrini percebeu que o fenômeno migratório interpelava-o à missão.

Certo dia, ao passar pela Estação de Milão, Scalabrini viu o desespero de milhares de pessoas que deixavam a Itália e partiam em busca de melhores condições de vida na América. Frente a isso Scalabrini comoveu-se e decidiu então dedicar sua vida a serviço dos migrantes. Foi assim que fundou a Congregação dos Missionários de São Carlos, no ano 1887 e a Congregação das Missionárias de São Carlos, em 1895.

Além destas fundações, Scalabrini continuou sua ação em favor dos migrantes através de visitas às maiores cidades da Itália e dos escritos que tratavam da questão migratória. Fez uma proposta ao Vaticano para a criação de um organismo pontifício encarregado de promover a pastoral migratória e se dedicou às visitas aos migrantes e missionários nos Estados Unidos, Brasil e Argentina.

O sonho missionário de Scalabrini é hoje o sonho missionário e a missão de muitos sacerdotes, religiosas, religiosos e leigos espalhados pelos cinco continentes que abraçaram o seu jeito de ser: ser migrante com os migrantes e servi-los onde o Pai e Senhor da messe os envia. E, pode ser também o seu sonho e a sua missão, querido amigo leitor.

Pe. Alexandre De Nardi Biolchi, cs
alebiolchi@yahoo.com.ar

“Fazer-se tudo para todos”: Scalabrini e as visitas pastorais

A Igreja está comemorando o Ano Paulino (06/2008 – 06/2009), na passagem dos dois mil anos do nascimento do grande apóstolo Paulo. Gostaria de sublinhar, nesse sentido, que o Bem-aventurado Scalabrini levou muito a sério um dos princípios do grande apóstolo: “Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns” (1° Coríntios 9,22). Esse princípio, cultivado na espiritualidade, aparece em todos os aspectos da ação scalabriniana. Todavia, está particularmente evidente nas visitas pastorais.

O agir revela aquilo que a pessoa tem como princípios e valores. Em linguagem religiosa, podemos dizer que a espiritualidade da pessoa transborda em uma ação que revela o valor e a profundidade dessa espiritualidade.

O Bem-aventurado Scalabrini, como muitos bispos de seu tempo, poderia ter-se contentado em realizar a visita pastoral na sua diocese, exigida de cada bispo de cinco em cinco anos, visitando os centros maiores e enviando para os vilarejos padres emissários. Ele, pelo contrário, desejava pessoalmente encontrar cada um daqueles a ele confiados. De fato, em seus quase trinta anos de episcopado em Piacenza (Itália), realizou cinco visitas pastorais, e já anunciara a sexta. Dizia: “A mais bela consolação que um bispo pode receber  é conhecer de perto os seus amados filhos e por eles ser conhecido!”.

O desejo de fazer-se “tudo para todos” revela-se no incansável zelo que o levava a não esmorecer diante das por volta de 200 paróquias localizadas nas montanhas (em lombo de burro ou de cavalo), diante dos alojamentos precários em vários lugares, diante do trabalho estafante do dia a dia da visita. Por vezes, diante da chuva, os acompanhantes o aconselhavam a suspender a viagem... ele não concordava; como bom pastor pensava nas ovelhas confiadas ao seu pastoreio.

Não bastasse o trabalho em sua diocese, com olhar agudo Dom Scalabrini, por ocasião já de sua primeira visita pastoral, percebeu o fenômeno que levou milhões de italianos a emigrar para as Américas. Poderia ter deixado suas ovelhas ausentes aos cuidados dos pastores do Novo Mundo. Também aqui o que cultivava na interioridade não permitiu que se acomodasse. O “tudo para todos”, de fato, não conhece limites! É assim que o vemos percorrendo a Itália para conscientizar a Igreja e a sociedade, mobilizando leigos e fundando os Missionários e as Missionárias de São Carlos. Não bastasse, ele mesmo foi em visita aos emigrantes: em 1901, no Estados Unidos; em 1904, no Brasil.

O princípio paulino, todavia, revela-se particularmente quando o fazer-se “tudo para todos” implica em dar a própria vida. O Bem-aventurado Scalabrini, de fato, se não sofreu uma morte como mártir, perdeu a saúde especialmente em função das enormes fadigas que suportou nas visitas pastorais, na diocese de Piacenza e nas Américas.

Diante do princípio evangélico de que pelos frutos se conhece a árvore (cf. Mateus 12,33), podemos logo entender quem foi Dom Scalabrini e que espiritualidade o animava! Outras páginas poderão apresentar ao leitor o “outro lado da medalha”, isto é, o como Dom Scalabrini alimentava sua espiritualidade. Quis, todavia, mostrar sinteticamente o resultado de quanto ele cultivava em seu interior, e apenas em um aspecto: as visitas pastorais.

Que também nós, animados pelo exemplo de São Paulo e do Bem-aventurado Scalabrini, deixemos de lado a preguiça e busquemos fazer-nos “tudo para todos”, cultivando a espiritualidade e, depois, colocando “mãos à obra”.

Pe. Antônio César Seganfredo, cs
Ribeirão Pires, SP

terça-feira, 22 de junho de 2010

3º Congresso Vocacional do Brasil

Motivados pelo tema “Discípulos missionários, a serviço das vocações” e convocados pelo lema “Ide, pois fazer discípulos entre todas as nações” (cf. Mt 28, 19), a Igreja do Brasil celebrará o III Congresso Vocacional. O evento acontecerá de 3 a 7 de setembro, em Itaici, São Paulo.

Este congresso propõe-se a celebrar e partilhar a caminhada do serviço de animação vocacional, a aprofundar a teologia das vocações na perspectiva do discipulado e da missionariedade, a consolidar a identidade do animador (a) e do serviço de animação vocacional, e a oferecer pistas de ação para o serviço de animação vocacional. Como enuncia o Texto-base, o III Congresso realiza-se dentro do processo de continuidade dos congressos anteriores, acolhendo a orientações do Sínodo da Palavra de Deus e da Conferência de Aparecida, no que tange a dimensão vocacional (discipulado e missão).

Neste sentido podemos falar da necessidade de promover a pedagogia do encontro com Jesus Cristo, que desperte e forme autênticos discípulos-missionários. Pois conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas; e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa maior alegria.

O III Congresso será um espaço propício para provocar e estimular no serviço de animação vocacional uma conversão pastoral e renovação missionária, que deve impregnar todos os planos pastorais de dioceses, paróquias, comunidades religiosas, movimentos e de qualquer instituição da Igreja. A conversão implica em escutar com atenção e discernir o que o Espírito está dizendo às Igrejas através dos sinais dos tempos, onde Deus se manifesta. Para tanto, se exigem atitudes de abertura, diálogo e disponibilidade para promover a co-responsabilidade e a participação efetiva de todos. Urgência pastoral na animação vocacional é o testemunho de comunhão eclesial e de santidade de vida.

O Congresso também traz a preocupação vivida e enfrentada pela Igreja, que conforme Aparecida se constata o número insuficiente de sacerdotes, a sua não justa distribuição e a relativa escassez de vocações ao ministério e à vida consagrada.

Portanto, acreditamos e esperamos que a realização deste Congresso seja uma oportunidade e um momento de graça para toda a Igreja. Oportunidade para refletir sobre o dom da vocação que Deus concede a cada um de nós e momento de graça para reafirmarmo-nos no seguimento a Jesus Cristo, sendo autênticos discípulos e verdadeiros missionários.
 
Pe. Alexandre De Nardi Biolchi, cs

A vida é feita de escolhas

A etapa da juventude é sem dúvida a etapa mais bela da vida humana. Mas, ao mesmo tempo também é a mais complexa e desafiadora. Pois é nesta etapa que se tomam as principais decisões da vida. É neste momento histórico da existência que se fazem as escolhas mais importantes. Escolhas que irão determinar para sempre o rumo da vida.

Diante disso duas atitudes podem ser tomadas: a primeira, a de fazer as escolhas, tendo a coragem de correr o risco de nem sempre acertar nas decisões; e a segunda, adiar sempre e assim não se comprometer com nada e nem com ninguém.

Em geral na atualidade a segunda opção é a tendência mais forte no mundo juvenil. Ninguém quer tomar decisões. Fazer escolhas é algo dolorido, pois são muitas as opções. E, comprometer-se é algo sério, ainda mais quando se trata de decisões e escolhas que vão durar por toda a vida. Por isso, seja no nível profissional, pessoal ou vocacional, os jovens de hoje acabam deixando suas eleições sempre para depois.

Entretanto escolher é preciso. Muitas são as escolhas que devem ser feitas ao longo da existência e são elas que vão constituir e construir a vida de uma pessoa, tornando-a mais ou menos feliz. Cada dia é uma oportunidade de novas escolhas, opções, descobertas e realizações. Cada momento da vida é um desafio para mais uma etapa da história profissional e vocacional que cada ser humano é convidado a escrever.

Jovem, é hora de você tomar consciência da grandeza de tua vocação e missão como protagonista da história. É tempo propício para colocar-se a serviço da vida, vivendo o poder do momento presente, mas numa visão de futuro. A vida humana é processo, a história é processo dinâmico e, é necessário que reconheças o significado e a importância de realizar a parcela que lhe corresponde no registro dessa história.

Diz o filósofo e educador Rudolf Steiner: “O futuro é preparado à medida que o presente, conservando-se no solo do passado, é transformado”. De fato é assim que se faz a história, tendo como referência o passado, animando o presente e projetando o futuro com otimismo e esperança. Se hoje estamos no ponto em que nos encontramos é porque outros vieram antes de nós, num determinado período da história e, fizeram a sua parte neste processo. Agora é o nosso tempo. O momento é este. É a nossa oportunidade de realizar tudo o que está ao nosso alcance, preparando caminhos, discernindo objetivos e projetando sonhos e ideais.

Tudo o que está em nossa volta é um convite para nos sentirmos sempre, em qualquer ato ou lugar, na presença de Deus. E justamente por isso não há razões para ter medo de fazer as escolhas que nos correspondem. No entanto, para perceber essa presença, é preciso ter um olhar mais coerente, um olhar de fé. Precisamos saber e querer escutar, enxergar e sentir a cercania de Deus.

Queremos e sonhamos com um mundo em que a vida, a pessoa humana seja o centro das atenções. Queremos transformar o presente e, se isso parecer utopia, mesmo assim continuemos animados e na certeza de que, como afirma Paulo Freire: “Nenhuma geração vê o que gostaria de ver. Mas o que é preciso é que a geração, mesmo sabendo que não vai ser aquilo que ela gostaria de ver, tome consciência de que, se ela não fizer o mínimo que pode fazer hoje, nem se quer a outra geração que vem vai ver o que gostaria de ver”.

Jovem, é preciso fazer a nossa parte. É preciso fazer as nossas escolhas. Mas não esqueça que, sendo a vida feita de escolhas é preciso viver as escolhas certas!

Pe. Alexadnre De Nardi Biolchi, cs
 

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Vocação

Se chamarem pelo teu nome,
Responde, antes mesmo de identificar a voz;

Se te convidarem a deixar casa e terra,
Parte, mesmo que não conheças o destino;

Se te enviarem em missão,
Vai, ainda que ignores para onde;

Se baterem à tua porta,
Abre, ainda que não seja um rosto amigo;

Se te pedirem um pedaço de pão ou um copo de água,
Dá do que tens, antes mesmo de saber a quem;

Se ouvires o grito dos pobres e excluídos,
Estende a mão, mesmo ignorando de onde vem o clamor;

Se fores chamado à ação,
Sê solidário, mesmo sem saber o que construir;

Se teu irmão reclamar tua presença,
Pára e ouve, ainda que seja apenas o silêncio;

Se um estranho te dirigir um olhar ou um sorriso,
Acolhe-o em teu coração, ainda que seja desconhecido;

Se o caminheiro se perder no caminho,
Faz de tua vocação uma pátria,
Mesmo que não lhe conheças a cultura;

Se tua alma inquieta não consegue repousar,
Interroga o mistério que mora em teu íntimo
E em segredo põe-te à escuta...

Pois...
Por trás de cada uma dessas vozes
Deus te chama e te envia a um novo serviço
E conta com tua resposta pronta e positiva.

Pe. Alfredo J. Gonçalves
Itaici, Indaiatuba/SP, 10/02/04

Que é a Vocação?

Todo ser humano tem uma missão a cumprir dentro das condições mais diversas. Para a pessoa humana realizar essa missão perfeitamente necessita descobrir a sua vocação. Mas, infelizmente muitos passam toda a vida sem saber nem mesmo o que é a vocação ou acabam tendo uma idéia falsa do que ela significa e, portanto, jamais chegarão a fazer uma opção.

Que é a vocação? Segundo um renomado dicionário da língua portuguesa, vocação é o ato de chamar, tendência, pendor, talento, aptidão, etc. Esta definição não está errada, porque de fato vocação, proveniente do verbo latino “vocare”, significa chamar. Entretanto esta definição nos parece incompleta. Vocação é muito mais que isso. Vocação é uma inclinação para algo determinado e chamado da graça à ordem sobrenatural. Portanto, vocação é um convite, um chamado de Deus que encontra na pessoa humana a resposta generosa ao aceita-la ou egoísta ao negá-la.

A vocação é uma graça, um Dom de Deus. Uma vocação caracteriza-se por uma série de dons, de luzes, de inspiração sobrenatural, baixo cuja influencia, a alma sente-se atraída a um estado ou outro. A vocação é um mistério de amor entre Deus que, por amor, chama a pessoa humana que, também por amor, lhe responde livremente.

Aqui temos que fazer uma importante distinção. Uma vocação nunca se poderá discernir sem a liberdade de pensamento. Deus criou o homem e a mulher livres, ou seja, a sua Imagem e Semelhança (Gn 1, 26). Portanto, se a alguém o obrigam a escolher uma determinada vocação, por um ou outro motivo, isso não é graça e chamado de Deus, mas sim fanatismo e escravidão. Por isso para descobrir qual é a vocação a que Deus chama é preciso consultá-lo.

São Paulo, no momento decisivo de sua conversão exclamou: “Quem és tu, Senhor?” (At 22, 8). E, em seguida perguntou: “Que devo fazer, Senhor?” (At 22, 10). Esta deveria ser nossa oração. Esperando que no silêncio a inspiração divina suscite uma resposta em nosso coração.

Muitas pessoas buscam tantos conselhos na vida, cartomantes, conselhos telefônicos, amigos, etc., e quase nunca deixam a Deus falar. Devemos recordar que a oração não é um monologo, mas um diálogo. Não basta com falar a Deus de tantas e tantas coisas, é preciso que lhe demos espaço para que ele nos fale. É preciso aprender a estar em silencio, para poder escutar a voz de Deus. Jesus mesmo, antes de sua vida pública, foi ao deserto – lugar de silencio – para jejuar e orar. E, foi neste silêncio que soube diferenciar as tentações do demônio da vontade de Deus.

A vocação não é uma ordem, senão um chamado, um convite. Deus dá continuamente suas luzes, como um suspiro. Recordemos a passagem do livro dos Reis, onde o profeta Elias escondeu-se em uma gruta e esperou o Senhor. Primeiro chegou um furacão, mas o Deus não estava ali. Logo um grande terremoto, mas tampouco Deus estava ali. Depois do terremoto, apareceu fogo, mas Deus não estava no fogo. Finalmente, chegou uma brisa suave e Elias reconheceu Deus e saiu dela (cf. 1 Reis 19, 9-14).

A vocação não é um sentimento, na verdade a vocação não se sente. É, antes, uma certeza interior que nasce da graça de Deus que me toca a alma e que me pede uma resposta livre. Caso Deus chame, a certeza irá crescendo na medida em que a sua resposta for mais generosa. Assim, a fonte da vocação é sempre Deus. Aquele que livre nos criou nos chama para que na liberdade possamos optar por amar e servi-lo.

Pe. Alexandre De Nardi Biolchi, cs.
Passo Fundo/RS.

O mundo é nossa pátria

Acima de todos os muros e cercas
Erguem-se os sonhos dos que migram:
Como espigas de milho ou cachos de uva,
Levantam-se do chão para buscar o sol.



Acima dos impérios e seus tiranos
Ergue-se a esperança dos que caminham:
Como um rio que tudo arrasa ou tudo irriga,
Segue para o mar, irmão de todos os povos.



Acima das leis que defendem a riqueza de poucos
Erguem-se o canto e a dança das multidões:
Como um jardim no despontar da primavera,
Espalham flores e cores pelas ruas e campos.



Acima dos latifúndios e das contas bancárias,
Erguem-se o sorriso da criança e o olhar do amor:
Como estrelas em meio à noite escura,
Apontam o rumo da grande travessia.



Acima do trovão e da força das armas
Ergue-se o som dos passos em marcha:
Aos milhares buscam o horizonte
De um amanhã que já se faz menino.



Acima da guerra, da violência e da morte,
Ergue-se a voz dos que querem viver:
Como uma orquestra de cores e amores
No solo da história lança a semente.



Acima das fortalezas e dos exércitos
Ergue-se o grito dos que não se deixam abater:
Como o beijo da aurora que se aproxima,
Leva luz aos subterrâneos e porões ocultos.



Acima da fronteira que divide e separa
Ergue-se a utopia da cidadania universal:
Como o vento que não conhece barreiras,
Anuncia que o mundo é nossa pátria!


Pe. Alfredo José Gonçalves

Itinerante por Amor

Toda pessoa de fé tem uma espiritualidade. Ela é fruto daquilo que se crê e se vive. É ação do Espírito que age no íntimo de cada ser humano. Toda verdadeira espiritualidade conduz a um processo de transformação interior. “Mestre, o que é espiritualidade?” perguntou o discípulo e ele respondeu-lhe: “Espiritualidade é aquilo que consegue levar-te a uma transformação interior”.

A espiritualidade assim entendida, não se resume a práticas mágicas de incenso queimado ou de novenas apenas para receber alguma graça e nada mais. Espiritualidade é um estilo de vida fundamentado na vivência prática e concreta do Evangelho. É viver como Jesus. É transformar o próprio ser e, de conseqüência, toda a vida. É poder dizer como o Apóstolo Paulo: “Já não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”.

Assim é a espiritualidade scalabriniana: um estilo de vida que imita Jesus Cristo.

Jesus entende a sua vida como um caminhar permanente (“É preciso que eu caminhe hoje, amanhã e depois de amanhã” – Lc 13,33); como um andar ao encontro das pessoas para levá-las consigo no caminho da transformação. Como seres humanos estamos sempre a caminho. Não podemos ficar parados. E caminhando nos transformamos. Estamos a caminho com Jesus. Ele é o nosso guia: aquele que abre o caminho e que vai à nossa frente. Portanto, nosso caminhar é um “seguir” Jesus. Ele é o “sem pátria”, excluído por muitos, que anda por este mundo afora sem encontrar quem o receba. Ser “sem pátria” faz parte também do nosso “ser cristão”.

A paixão por Jesus Cristo é o segredo da vida e da ação de João Batista Scalabrini. Ele contempla continuamente o Filho de Deus que se fez homem, que veio “armar a sua tenda entre nós”, caminhar com a humanidade e reconduzir o ser humano renovado para o Pai. Scalabrini contemplou o rosto de Cristo no rosto de tantos migrantes sofridos. Viu neles o Cristo Peregrino que continua sua caminhada pelos caminhos tortuosos da humanidade. Cristo se deixa contemplar no migrante, no itinerante, no peregrino. O Fundador passou esta sua paixão para seus missionários e missionárias.

A itinerância é uma característica chave da espiritualidade scalabriniana. Como Jesus foi itinerante, como o migrante é um itinerante, assim o scalabriniano/a é itinerante. Caminha e peregrina com a consciência de que a pátria verdadeira está na eternidade. Caminha ao encontro do outro, vai a sua procura. Caminha porque tem um rumo e uma meta a alcançar. Caminha porque é missionário/a, ou seja, leva consigo a boa nova de Cristo. Todo itinerante é um ser desprendido dos bens (“Não levem nada para o caminho...” – Lc 9,3) e dos afetos (“Quem não deixar pai, mãe, irmãos...” – Lc 14,26); é humilde (“Caminha humildemente com o teu Deus” – Mq 6,8); é disposto ao sacrifício (“Quem não toma a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo” – Lc 14,27); confia na Providência (“Não fiquem procurando o que vão comer e o que vão beber... O Pai bem sabe que vocês têm necessidade dessas coisas” – Lc 12,29-30). Viver a itinerância como um caminho espiritual é deixar-se guiar pelo Espírito e transformar a própria vida.

Itinerante por amor, por paixão, por vocação, assim como o Cristo Peregrino: esta é a marca do scalabriniano/a.

Pe. Evandro Antônio Cavalli, cs

A Semente

Uma só semente contém a árvore,
Contém a flor, a folha e o fruto,
No mistério da vida que se renova

Uma só gota d’água contém o rio
Que corta e fecunda a terra
Mãe e fonte de todos os seres vivos.

Um só passo contém a caminhada,
Um a um, tenaz na travessia,
Aproxima do horizonte o peregrino.

Uma só palavra contém a linguagem,
Expressão mais viva de um povo,
Que revela e esconde seus segredos.

Uma só lágrima contém o pranto,
Símbolo da tormenta que devasta,
Mas também da dor que purifica e redime.

Um só sorriso contém a alegria,
Sinal de portas que se abrem,
Luz de uma cidadania sem fronteiras.

Um só olhar contém a alma,
Caminho para o encontro eu-tu
Onde a mesa será farta e fraterna.

Um só toque contém a relação com o diferente,
Ao mesmo tempo que aponta
Para a relação com o transcendente.


Pe. Alfredo J. Gonçalves
São Paulo, 19 de abril de 2006

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Vocação: um chamado, uma resposta de amor!

Pe. Paulo Rogério Caovila, cs
Antes de qualquer reflexão, quero lembrar que a palavra vocação vem do latim vocare e que significa chamado. Quem chama é sempre Deus e quem responde somos nós através da escuta e da disponibilidade em amar e servir. Deus nos escolhe para segui-lo realizar uma missão a serviço do seu povo. Por isso, toda vocação existe em vista de uma missão. E todo chamado acontece a partir de duas liberdades bem concretas: primeiro a liberdade absoluta de Deus em nos chamar, e depois a nossa liberdade de dar uma resposta ao chamado de Deus com discernimento e maturidade. Ninguém de nós pode responder vocacionalmente a Deus sentindo-se pressionado ou forçado. A pessoa tem que se sentir livre para escolher o caminho da realização pessoal.

Deus é infinitamente livre de chamar. Ele é o Pai Criador repleto de amor que busca construir a melhor felicidade possível para todos seus filhos e filhas. Por isso, é que Ele não impõe e não obriga ninguém a ser aquilo que Ele deseja. Ele respeita e aceita o caminho que desejamos seguir. Certamente Ele continuará nos amando com a mesma intensidade. Entretanto, se aceitarmos e assumirmos com bravura a vocação que Deus nos destinou, certamente, seremos muito mais felizes, pois, tivemos a coragem de dizer sim a Deus e enfrentaremos todos os desafios da missão com fé e confiança.

Deus sempre será a fonte da nossa vocação. A iniciativa sempre parte Dele, ou seja, é do coração de Deus que nasce a vocação de cada um de nós. Deus nos dá a vida, a existência como pessoas humanas, feitas segundo a imagem e semelhança de Dele (Gn, 1,26). Deus também nos pede algo, ou seja, lança em nosso coração um convite para uma missão. Ele não deseja agir sozinho. Ele quer que a nossa viva esteja comprometida com a construção do seu Reino. Ele quer que sejamos pessoas felizes. Ele tem um projeto de amor para a cada um de nós. Ele partilha e espera de cada um de nós uma resposta generosa.

Deus nunca nos abandona. Ao longo da vida Ele nos envolve e nos abençoa de tal forma que dificilmente fugiremos do seu projeto. Ele nos fortaleceu e nos comprometeu no dia em que fomos batizados em nome da Santíssima Trindade. Naquele dia, Ele nos chamou (Jo 6,44-65) para uma vida digna do seu amor. O filho Jesus, enviado do Pai ao mundo, que é o nosso mestre, nos convidou a permanecer no seu amor (Jo 15,10). Ele chamou os discípulos, os instruiu e os enviou em missão (Mc 1,16-20 e 16,7.15). E o Espírito Santo ilumina, anima e conduz a nossa vida ao encontro de uma missão (At 13,1-3). Estamos nas mãos de Deus.

Assim sendo, podemos concluir que toda vocação se concretiza num caminho de crescimento. Deus nos chama à vida, Deus estreita a sua amizade conosco através do batismo, Deus nos faz crescer dentro da vida cristã como discípulos de Jesus Cristo e, finalmente Ele nos chama para uma vocação específica na Igreja.

Todos nós nascemos com uma vocação. Logicamente, Deus chama parte dos seus filhos para o ministério ordenado (diácono, padre ou bispo); outros para a vida religiosa-missonária (irmão ou irmã consagrados); outros para a vocação do matrimônio e outros ainda para uma missão como leigos na Igreja e no mundo, como sal e luz (Mt 5, 13-15) exercendo ministérios na comunidade, testemunhando o evangelho de Jesus Cristo.

Todas as vocações são importantes para Deus e necessárias para que o mundo descubra as diferentes formas de amar e servir. A vida é o maior dom de amor que Deus nos deu. Uma prova de que Deus realmente nos ama. Todos nós fomos criados por amor e com a missão de amar a Deus e todos os seus filhos. Quem é egoísta, auto-suficiente, fechado em si mesmo, ganancioso, jamais vai viver uma vocação. Viver uma vocação é viver o amor. Por isso viva para os outros como uma resposta de amor, justiça, paz e felicidade.

Vocação Missionária

Pe. Paulo Rogério Caovila, cs
Todos nós entendemos muito bem que vocação é um chamado de Deus. É uma escolha e uma proposta que Deus nos faz. É um encontro pessoal com o Deus da vida. É um dom precioso que Deus concede a todos os seus filhos através do seu imenso amor. Deus é quem chama e espera de nós uma resposta concreta. Ele espera e confia que nossa opção de vida seja um serviço ao seu Reino de amor.

A grande maravilha do chamado de Deus é que Ele chama cada um de nós para uma missão diferente e todos juntos vivendo a sua própria vocação enriquecemos ainda mais o seu Reino e a vida de todos os filhos de Deus. Respondendo ao chamado de Deus através do seguindo de uma das diferentes vocações: sacerdotal, diaconal, vida consagrada ou religiosa, leiga ou matrimonial, é que conquistaremos a felicidade e vida tem um sentido todo especial.

A vocação missionária esta presente em todos as pessoas que se comprometem com o batismo. A vocação missionária é um chamado especial que Deus lança a tantos padres, religiosos, religiosas, jovens e leigos a deixarem sua comunidade de origem, para se dedicar à evangelização de pessoas e povos de regiões mais necessitadas e carentes.

Em certa ocasião, o venerado Dom Helder Câmara, bispo do Nordeste brasileiro cujo "ímpeto evangelizador" ultrapassou as fronteiras da América e que conseguiu tão bem levar a Boa Nova a todos os continentes afirmou que: "Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu. É parar de dar volta ao redor de nós mesmos como se fôssemos o centro do mundo e da vida. É não se deixar bloquear nos problemas do pequeno mundo a que pertencemos: a humanidade é maior. Missão é sempre partir, mas não devorar quilômetros. É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. E, se para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, então missão é partir até os confins do mundo."

A vocação missionária é um caminho bonito para amar e se sentir amado (a) por Deus, sentir e descobrir o quanto Deus nos vive conosco. A vocação missionária nos faz entender a declaração do apóstolo Paulo de Tarso: "Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; pelo contrário, é uma necessidade que me foi imposta, Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho" (1Cor 9,16). A vida tem sentido quando temos uma grande causa para lutarmos e só lutamos por aquilo que acreditamos. Assim deve ser o missionário que vive pelo evangelho.

Todos nós somos verdadeiros missionários estejamos onde estejamos. O importante é que estejamos nas mãos de Deus e nos sintamos enviados pelo espírito do mestre Jesus Cristo como ele mesmo nos ensinou: "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes fruto, e para que o vosso fruto permaneça." (Jo 15,16).

Toda vocação para ser bem vivida precisa disponibilidade e grande espírito de serviço, doação, entrega, pratica do mandamento do amor, como o próprio mestre Jesus nos ensinou e viveu plenamente ao enviar os seus discípulos: "Ide, e fazei que todas as nações se tornem discípulas, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28,19-20).

Vocação de Maria: um chamado, uma missão de amor!

Pe. Paulo Rogério Caovila, cs
Antes de qualquer reflexão, quero lembrar que a palavra vocação vem do latim vocare e que significa chamado. Quem chama é sempre Deus e quem responde somos nós através da escuta e da disponibilidade em amar e servir. Deus nos escolhe para segui-lo e realizar uma missão a serviço do seu povo. Por isso, toda vocação existe em vista de uma missão. E todo chamado acontece a partir de duas liberdades bem concretas: primeiro a liberdade absoluta de Deus em nos chamar e, depois a nossa liberdade em responder ao chamado de Deus com discernimento e maturidade. Ninguém de nós pode responder ao chamado de Deus sentindo-se pressionado ou forçado. A pessoa tem que se sentir livre para escolher o caminho da realização pessoal.

Deus é infinitamente livre ao chamar. Ele é o Pai Criador repleto de amor que busca construir a melhor felicidade possível para todos seus filhos e filhas. Por isso, é que Ele não impõe e não obriga ninguém a ser aquilo que Ele deseja. Ele respeita e aceita o caminho que desejamos seguir. Certamente Ele continuará nos amando com a mesma intensidade. Entretanto, se aceitarmos e assumirmos com bravura a vocação que Deus nos destinou, certamente, seremos muito mais felizes, pois, tivemos a coragem de dizer sim a Deus e enfrentaremos todos os desafios da missão com fé e confiança.

Deus sempre será a fonte da nossa vocação. A iniciativa sempre parte Dele, ou seja, é do coração de Deus que nasce a vocação de cada um de nós. Deus nos dá a vida, a existência como pessoas humanas, feitas segundo a imagem e semelhança de Dele (Gn, 1,26). Deus também nos pede algo, ou seja, lança em nosso coração um convite para uma missão. Ele não deseja agir sozinho. Ele quer que a nossa viva esteja comprometida com a construção do seu Reino. Ele quer que sejamos pessoas felizes. Ele tem um projeto de amor para cada um de nós. Ele partilha e espera de cada um de nós uma resposta generosa e concreta. Tal como foi a vocação de Maria.

Uma menina simples, do povo, “cheia de graça”, naturalmente, escolhida e profundamente amada por Deus (Lc 1,26-38). Deus a escolheu através do anjo Gabriel para uma grandiosa missão: ser a mãe do Salvador. Ser aquela que acolheu o Messias no seu ventre materno.

A partir do momento em que Maria aceitou o chamado de Deus e declarou “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra!” (Lc 1,38), não teve mais medo da sua futura missão. Andou por caminhos tortuosos, enfrentando viagens duras para uma gestante. Visitou sua prima Isabel (Lc 1,39-56) e, logo após o parto migrou para uma terra estranha a fim de proteger Seu Filho (Mt 2,13-15). Quarenta dias depois do nascimento de Jesus, José e Maria apresentam o menino no templo de Jerusalém a um homem justo chamado Simeão, que os abençoou e anunciou: “Este Menino será um sinal de contradição, para ruína e salvação de muitos em Israel; e uma espada atravessará a tua alma para que se descubram os pensamentos de muitos corações” (Lc 2,22-35).

Maria acompanhou o crescimento do Menino, ensinando-lhe a vontade de Deus. Esteve presente na vida pública e missionária de Jesus; Bodas de Caná (Jo 2,1-10). Sofreu ao perceber a falta do Filho quando retornavam do Templo de Jerusalém (Lc 2,41-50). Chorou Sua morte injusta e alegrou-se com o anúncio da ressurreição, (Jo 19,25-30), a partir da qual passou a abençoar a Igreja nascente. Quando os apóstolos, discípulos e os irmãos de Jesus se reuniram no cenáculo de Jerusalém para esperarem, orando ao Espírito Santo prometido, Maria se encontrava no meio deles (Atos 1,14). Sempre uma presença materna de confiança e fé.

Maria foi fiel ao chamado missionário do Pai. Deixou-se guiar pela Palavra de Deus. Escutou e praticou a Palavra de Deus: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 8,20-21). Que esse testemunho vocacional sirva de modelo para que cada um de nós viva mais intensivamente nossa própria vocação.

O fundador dos Missionários de São Carlos, Bem-aventurado João Batista Scalabrini, foi um bispo muito devoto de Nossa Senhora. Ele vivia apaixonado pela Eucaristia; abraçou o mistério da cruz. Apertando a cruz episcopal ao coração, repetia com freqüência: "Faz-me, Senhor, inebriar com a cruz!". Outro aspecto de sua espiritualidade era a profunda afeição que nutria por Nossa Senhora. Seu amor a Maria se revelava em numerosas práticas devocionais e nas freqüentes romarias aos santuários marianos.

Ele encontrava na oração do rosário força e luz divina para exercer seu serviço aos irmãos e à Igreja. Dizia: “Sede devotos do rosário! Estima-o! Recitemo-lo com fé, com humildade, com devoção, com perseverança. Recitemo-lo cada dia e veremos subir as orações dos homens e descer a misericórdia de Deus”.

Vibrava com as festas de Nossa Senhora, sobretudo da Imaculada. Não se deve, por isso, esquecer a ternura com que ofereceu as jóias de sua mãe à "Nossa Senhora de São Marcos", em Bedônia; nem a devoção à "Nossa Senhora Milagrosa de São Savino", em Piacenza,(Itália).

Peçamos à Deus que abençoe sempre para que sejamos fiéis seguidores do mestre Jesus Cristo tendo como modelo de vida a mãe Maria. Modelo vocacional para todos nós. Deus nosso Pai nos abençoe todos os dias pela interseção de Maria, mãe dos Migrantes.

ONDE VOCÊ BUSCA SUA FELICIDADE?

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs.

Há quem a busque, em primeiro lugar, no sucesso profissional, procurando a todo custo acumular certificados e diplomas de capacitação, correndo o tempo todo atrás de novas oportunidades e promoções, tecendo contatos com pessoas poderosas e influentes, ocupando todos os espaços que se apresentam; pouco importa se tal atitude, por vezes, “puxa o tapete” a outros candidatos...

Há quem a busque, em primeiro lugar, no bem-estar sócio-econômico, medido-a pelo volume das contas bancárias; pelo estilo e aparência da casa, da chácara, do iate, ou pelas viagens a Miami ou Paris; pelo modelo do carro ou pela atualização permanente do computador e do celular; pela imagem de status diante dos representantes da “socialite”; pelos holofotes da mídia, sempre ávida de exageros e escândalos, como os abutres o são de carne podre...

Há quem a busque, em primeiro lugar, no culto ao corpo, nivelando-a pelo tamanho do bumbum e dos seios; pelo porte esbelto ou pose escultural; pelas roupas de grife última moda, ditadas pelas passarelas; daí a síndrome do corpo perfeito, o risco da anorexia, e o enorme sucesso das academias de “malhação”...

Há quem a busque, em primeiro lugar, no afã insaciável de “ir às compras”, submetendo-se ao rolo compressor da produção-comercialização-consumo, marca registrada da sociedade ocidental; as cores e sons, imagens e luzes do shopping cegam e fascinam, seduzindo os incautos, prontos a adquirir todo tipo de bijuteria que aparece no mercado; quartos, gavetas e bolsos se enchem de objetos que nunca serão utilizados...

Há quem a busque, em primeiro lugar, noutro tipo de consumo, devorando filmes, shows, jogos, programas de TV, teatro, livros best-seller, eventos, enfim, todo tipo de espetáculo; mas tais atrações não conseguem aplacar a carência de novidades; o vazio volta a impor-se com a teimosia e tenacidade da sede...

Há quem a busque, em primeiro lugar, na ânsia mórbida de comer e beber sem medida; o espaço entre as refeições parece interminável e a espera transforma-se num verdadeiro suplício; desencadeia-se uma corrida desenfreada aos hambúrgueres tipo “Mcdonald” e hot-dog, pizzarias, lanchonetes, restaurantes; a boca e o estômago ganham a reverência de deuses tiranos e insaciáveis...

Há quem a busque, em primeiro lugar, em relações superficiais, efêmeras e descartáveis; o sexo se converte num passatempo inconseqüente, a amizade e o amor viram sinônimos de prazer momentâneo, o “ficar” substitui o namorar; o outro, ele ou ela, não passa de um objeto de uso, que se troca facilmente como uma peça de roupa ou do automóvel...

Todas essas buscas representam uma moeda de duas faces: podem estabelecer relações sadias e sadia realização pessoal, por um lado, mas, por outro, quando compulsivamente exacerbadas, podem saturar e conduzir a um beco sem saída. Neste caso, deixam pelo caminho seres humanos feridos, desfigurados, fragmentados, descentrados e perdidos.

Somente uma relação sadia e profunda com a natureza, com as coisas que nos cercam, conosco mesmos, com o outro e com Deus pode trazer uma felicidade duradoura. Evidente que isso exige abertura para um constante morrer, renascer e crescer. Nascimento, morte, renascimento e crescimento só ocorrem em meio à dor. Hoje buscamos analgésicos para tudo, perdemos a lição do sofrimento. Este, se e quando mastigado e digerido no silêncio da reflexão e do entendimento, ensina a caminhar, depura e purifica a alma, “na intimidade ensina sabedoria”, como lembra o salmo.

A felicidade não está nas realizações visíveis, nos atos heróicos, nos gestos grandiosos. Como a água é constituída de mil gotas, ela é feita das pequenas alegrias do cotidiano, de fontes de prazer genuíno e transparente. Uma pessoa feliz não gosta do sensacionalismo da mídia, mas de relações miúdas, firmes e sólidas. O riso lhe vem não tanto do rosto, mas do coração, onde mora a memória dos amigos e a imagem do Deus vivo e presente. Numa palavra, a felicidade não se fundamenta na quantidade matemática dos laços que costura, e sim na profundidade e permanência dessa rede fraterna e solidária.

CRISTO CONTINUA CHAMANDO NOVOS MISSIONÁRIOS

“Jesus continua fascinante”

Assistimos diariamente cenas que expressam o inesperado fenômeno de uma universal redescoberta de valores e avanços tecnológicos. Enquanto o mundo moderno quer anestesiar a dor do seu egoísmo e do individualismo, apaziguar a consciência de ter criado, no universo, tanta complexidade e tantas injustiças humanas, podemos dizer de boca cheia, que a grande maioria dos adolescentes e jovens ainda buscam descobrir o valor de um ideal devida atraente e fascinante.

Enquanto se discutem idéias, direitos, poder, status, conseqüências de atentados terroristas, Jesus Cristo nos traz muito mais do que isso. Ele não traz apenas idéias, mas um ideal de vida a ser seguido, o qual terá como resultado a construção da felicidade e da paz, da justiça e do amor, da solidariedade e da misericórdia, ou seja, o Reino de Deus.

Jesus de Nazaré acolhe, adverte, indica, ensina, ampara, envia, exige e, sobretudo convida pessoas a segui-lo, com grandeza de espírito e total nobreza de coração, para encarar a vida missionária. Ele nos torna verdadeiros “embaixadores de Deus” (2Cor 5,20) e operários da messe imensa, onde poucos se engajam totalmente com coragem (cf. Mt 9,37ss). Convicto da missão que urge e do nosso compromisso cristão fica sempre em nossa mente a responsabilidade do chamado como São Paulo nos lembra: “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9,16).

Sabemos que todo cristão tem, por livre graça, o chamado de seguir o Cristo, de viver uma vida nova. Todavia, Jesus de Nazaré chama alguns de modo especial. Ele chama para junto de si aqueles que Ele encontra pelo caminho e eles O acompanha como missionários e anunciadores da Boa Nova (cf. Mc 3, Em outra ocasião, Jesus vendo os irmãos Simão Pedro e André, lança um convite radical convidando-os a deixarem tudo e segui-lo (cf. Mt 4,1 8-22). A reação dos dois foi estupenda. Sem hesitação, imediatamente, seguiram a Jesus de Nazaré. Os dois irmãos trocaram a Pátria pelas estradas sem fim em nome de Jesus Cristo.

Só assim entenderemos que vocação é comunhão total com Cristo, pois Ele toca o íntimo da pessoa que o segue. Sem essa vital e crescente intimidade, a vocação se torna apenas uma pura função ou uma profissão meramente executada. ‘todos aqueles que Ele convida para sua intimidade (Jo 1,39), são os mesmos dos quais Ele confia tudo (Jo 15, 15; 15, 26-27) e, ao mesmo tempo, exige tudo: a vida e a morte, conduzindo-os onde Ele mesmo quer (cf.Jo 21, 18).

E Jesus continua chamando outros pelo caminho... (Mt 4,21). Agora é você que Ele está chamando.

Pe. Paulo Rogério Caovila, cs

Como um jovem pode descobrir hoje sua vocação num mundo tão secularizado?

A característica do mundo pós-moderno no qual nos encontramos é a perda da paixão pela verdade. Isto se expressa numa atitude fundamental de indiferença: há como uma perda do gosto a colocar-se a questão do sentido da vida para gostar do imediato. Por isso a primeira condição para que um jovem possa descobrir sua vocação é que ele (a) descubra o gosto das questões últimas. Ás vezes também, a pastoral da Igreja parece mais preocupada a dar respostas que a levantar perguntas verdadeiras nos corações. Uma obra interessante de pedagogia juvenil se chama: Se me amas diga-me que não. Amar verdadeiramente os jovens significa suscitar neles inquietações, não deixar-lhes em paz, provocar-lhes pensar e buscar um sentido além do visível e do imediato.

Para fazer isto, devemos dar aos jovens um testemunho credível da beleza de uma vida vivida no horizonte de uma esperança maior, que abra o coração ao gosto de perder a mesma vida por amor dos outros, e especialmente por amor do Único que possa dar a vida um verdadeiro sentido que não decepcione. O lugar do encontro com este Único tem dois rostos: o primeiro é a oração e segundo é a caridade. Na oração luta-se com Deus, se faz a experiência da sua alteridade que nos se educa ao êxodo sem retorno no qual consiste propriamente o amor. Este amor alimentado pela oração se traduz no compromisso da solidariedade com os mais pobres e os mais necessitados, o empenho da caridade.

Fazendo experiência de oração e de serviço o coração descobre o gosto do sentido verdadeiro da vida: um provérbio da minha terra Nápoles, na Itália diz assim: “Se pode viver sem saber porque, mas não se pode viver sem saber para quem”. O sentido da vida não é nunca algo, mas sempre e só alguém. Anunciar aos jovens este alguém é apresentar a eles Jesus Cristo, a revelação do amor do Pai, testemunho de um horizonte de esperança que vence a dor e a morte. Os jovens nos quais se levantam a verdadeira pergunta não encontrão dificuldades para reconhecer em Jesus anunciado por testemunhos credíveis a possibilidade de uma vida cheia de sentido e de beleza, porque totalmente vivida para os outros e para Deus.

O Que significa ser padre hoje?
No Novo Testamento Jesus é definido o Pastor Belo (Jo.10,11), isto significa que Ele não é só a verdade e a justiça, não é só verdadeiro e bom, ele é também a beleza que salva. Ser padre significa ter feito e fazer a experiência desta verdade, desta justiça e desta beleza de Jesus até o ponto de não poder viver sem compartilhar com os outros a graça da reconciliação recebida em Jesus. Como diz o apostolo Paulo nós não somos os patrões da fé dos outros, mas os colaboradores da alegria deles. Ser padre significa ser um homem feliz por viver, feliz por sentir-se amado por Deus em Jesus Cristo, apaixonado no desejo de comunicar aos demais a alegria deste amor que dá plenamente sentido e beleza a vida.

Eu não tenho medo de dizer que eu sou um homem feliz, feliz por ser padre, feliz por fazer experiência cotidiana do amor de Deus e de poder comunicar aos outros o dom da beleza de Deus. Aos jovens eu digo com convicção profunda de que vale a pena infinitamente entregar toda a vida por uma causa tão verdadeira, tão justa e tão bela como é a causa de servir ao reino de Deus, isto é de amar a Ele e de deixar-se amar por Ele, de amar os demais sobre tudo aqueles que ninguém ama.